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Um Um Cão Andaluz (1928) é um curta-metragem de 16 minutos, da autoria
de Luís Buñuel e Salvador Dalí, tido
como o maior representante do surrealismo no cinema. É difícil escrever um
sinopse para este filme, ele rompe
totalmente com a narrativa tradicional do cinema: as atitudes dos personagens e
a ordem das cenas não obedecem à nossa lógica cotidiana, mas à lógica dos
sonhos. Nele, as noções de tempo e espaço são constantemente subvertidas,
jogando com a expectativa de quem assiste e desafiando sua racionalidade. Enquanto
se assiste ao filme a sensação é de confusão e incômodo parece o tempo todo há
um empenho em não corresponder às expectativas no espectador e deixá-lo num
estado estranhamento. Um empenho muito bem sucedido, posso dizer, pois tive a
oportunidade de experimentar a surpresa de qualquer desavisado que vê o filme
por acaso, sem se informar a respeito. Sendo assim, meu primeiro contato com a
obra em questão não foi exatamente frutífero ou significativo, fiquei bastante
perplexa e não fiz grandes esforços para assisti-lo até o final. Foi durante o
curso ministrado por Eduardo Peñuela Cañizal, no Palácio das Artes, que pude começar a entender do que se
tratava. A partir das diversas interpretações propostas pelo professor que
consegui atribuir algum sentido ao filme, que é o que sempre procuramos fazer
com qualquer objeto, independentemente do escopo artístico ou do conteúdo
poético – na verdade, talvez estes sejam traços ainda mais convidativos a serem
desvendados. No próximo post compartilharei
algumas de minhas impressões acerca do filme.






