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quinta-feira, 21 de junho de 2012

3 dias de paz e música [Luiza Lambert] #5

Cartaz original do evento
A última postagem da pesquisa é feita com base no documentário “Woodstock: 3 days of peace and music”. Originalmente, o filme tem cerca de 2h de duração, porém o que assisti e analisei é a versão director’s cut, com 3h30 e cenas cortadas da primeira versão.


Apesar de estar há meses falando sobre o evento, sinto aqui a necessidade de realmente falar sobre ele. O An Aquarian Exposition: 3 Days of Peace & Music, ou simplesmente Woodstock aconteceu nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, em uma fazenda no estado de Nova York. Ninguém consegue mensurar ao certo de quanto foi o público, já que em certo ponto as cercas foram postas a baixo e a entrada foi “liberada”, mas estima-se que as mais de 32 atrações foram vistas por cerca de meio milhão de espectadores. O line-up incluía grandes estrelas do folk e do rock, como Joan Baez, Janis Joplin, The Who e Jimi Hendrix.  
The Who, com See Me, Feel Me
O filme foi produzido durante a realização do festival. As várias câmeras espalhadas pelo local permitiram a filmagem do evento por vários ângulos. O resultado da edição final (assinada por Martin Scorsese, dentre outros) é uma alternância entre shows, público e entrevistas. A tela é dividida por diversas vezes em 2 ou 3 partes, exibindo imagens diferentes.
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O filme não mostra também os problemas que a produção do Woodstock enfrentou durante os dias. A população que não apoiava o festival, a chuva que criou um lamaçal e eletrizou o palco e, o que eu acredito ter sido o mais problema, a falta de estrutura da cidade e do evento para receber tantas pessoas. A comida era extremamente racionada e, como as estradas se encontravam lotadas, todo tipo de ajuda ou suprimentos só chegava ao local via helicóptero.

No mais não se sabe de nenhum incidente sério. Claro que o estado como a fazenda ficou depois que o local se esvaziou era crítico, mas nada que a produção não tenha cuidado depois. No fim das contas foram, realmente, três dias de paz e música. 
Para ilustrar a postagem decidi por colocar um trecho do show que mais gostei, do The Who (acima) e um dos mais marcantes, do Jimi Hendrix, com Voodoo Child.
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não aconteceu em Woodstock [Luiza Lambert] #4

A seguinte postagem é baseada no livro Aconteceu em Woodstock, de Elliot Tiber e Tom Monte, e no longa-metragem de Ang Lee.

O livro se propõe a narrar o que ocorreu no mês que antecedeu a realização do festival, sob o olhar de Tiber. Fiquei ligeiramente desapontada, esperava que falasse mais sobre o evento, porém ele se aprofunda muito nos problemas do autor quanto a sua criação e sua sexualidade, vindo a falar do Woodstock somente após a centésima página.

O enredo principal aborda a mobilização da pequena White Lake, a quase 200 km de Nova York, para o festival. Tudo aconteceu quando a cidade de Wallkill se recusou a conceder uma licença para a produção, faltando apenas um mês antes para sua realização. Tiber na época levava uma vida dupla entre a administração do hotel falido de seus pais na cidade provinciana onde ele fingia ser heterossexual, e a vida de um artista gay em Manhattan. Ele trabalhava arduamente para manter o negocio da família, porém com o péssimo turismo local, já acumulava dívidas e não tinha uma perspectiva boa pela frente. Ao ser informado da situação “sem-terra” do Woodstock viu-se com a faca e o queijo na mão: Tinha uma licença, tinha terras e a realização de um evento dessa magnitude poderia salvar o hotel.
Mike Lang, produtor do Woodstock, e sua assistente (foto original)
Deste ponto em diante está o que interessa: um dos maiores backstages da história, suas peculiaridades, histórias engraçadas e curiosidades que pouca gente conhece. 


O filme é mais direto e aborda pouco a vida de Tiber. O foco é realmente a montagem do festival. Alguns detalhes foram mudados, sem comprometer o entendimento. Achei interessante salientar uma curiosidade: Durante as cenas “do festival” há o uso da mesma técnica de dividir a tela entre duas ou três cenas menores. Confere o aspecto inconfundível do documentário de 1970.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Woodstock: 3 dias de paz e música – A música dos anos 60 [Luiza Lambert] #3

O conteúdo programado para a 3ª postagem concerne o cenário musical dos anos 60. Me surpreendi ao descobrir sua multiplicidade de sons e estilos, já que sempre que pensava na década de 60, já pensava no rock. Claro que o rock’n’roll era praticamente unânime entre os jovens, mas em uma época que respirava musicalidade, todos os gostos eram considerados. Destaco como grandes contribuições, os seguintes:

-O Soul e o R&B: Marcado pela presença da gravadora Motown, os estilos representavam o que melhor de havia de produção musical para o público negro. Foram responsáveis por introduzir a música negra aos consumidores brancos. Revelou sucessos meteóricos como Diana Ross, Jackson 5 e Stevie Wonder.

-Surf Music: Amplamente influenciada pelas paisagens e pelo clima praiano da Califórnia, a Surf Music era leve, despretensiosa. Marcaram época os Beach Boys e The Mamas & The Papas.

-O Folk: Apesar de serem músicas acústicas e vozes macias, o folk não era nada inocente. Eram letras marcadas por protestos, cantadas por músicos notavelmente ativistas. Servia como um canal de expressão da juventude. Despontaram no estilo nomes como Bob Dylan, Simon & Garfunkel e Joan Baez.

Chuck Berry
E agora, o astro da década: o ROCK.
“Se você quisesse dar outro nome para o rock’n’roll, você poderia chamá-lo de Chuck Berry” – John Lennon

O rock’n’roll surgiu em fim dos anos 40, como uma variação mais ritmada do Blues. Logo despontou seu maior ícone: Chuck Berry. A explosão do estilo deve-se, no entanto, a invasão britânica do fab four. Em meados dos anos 60, eram os Beatles que davam as cartas no cenário musical. Nesse momento, o rock era um elemento intrínseco na vida da juventude americana. Traduzia e musicava suas esperanças e medos.
Com a popularização das drogas alucinógenas entra em cena uma das variações mais marcantes da época: O Rock Psicodélico. O lema paz, amor e drogas passa a dominar a juventude. Bandas como Pink Floyd, The Who e uma nova fase dos Beatles (com Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band) fizeram história.

Fato curioso: Há quem diga que a música Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, teria as iniciais "LSD", mas o fato nunca foi confirmado.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Woodstock: 3 dias de paz e música - A psicodelia e Timothy Leary [Luiza Lambert] #2

A postagem dessa quinzena é baseada na leitura do livro Flashbacks, do psicólogo PhD norte-americano Timothy Leary (1920-1996). O livro é uma autobiografia do autor, onde ele conta, entre passagens da infância, sua vida e experimentos científicos. Leary nasceu e foi criado em um lar desajustado, no interior de Massachusetts, por uma mãe carola e um pai alcoólatra. Quando já possuía uma família estabelecida, sua mulher suicidou-se, deixando-o sozinho com dois filhos. Anos mais tarde, assumiu uma posição no Centro Harvard de Pesquisa de Personalidade. Nessa época, foi apresentado aos cogumelos mexicanos, experiência que mudou sua vida – tanto acadêmica quanto pessoal.

Leary é conhecido até os dias de hoje como o “papa do psicodelia”, ficou famoso por tentar popularizar o uso do LSD de forma terapêutica. Fazia testes em alunos de psicologia de Harvard (com seu consentimento, claro). Durante a viagem as experiências sensoriais eram aumentadas, as cores ficavam mais vivas, e os usuários entravam no chamado estado alterado. Após o efeito passar, as concepções e experiências ganhariam outros significados, provocando profundas mudanças na sociedade. De acordo com Leary:

(p.54)

Realizou também experimentos em um presídio de Boston, onde a taxa de reincidência era 70% e foi reduzida para 10%. Leary tinha grande apoio dos beatnicks e hippies, que há muito procuravam uma forma de quebrar o American Way of Life e abalar as fundações da sociedade. A psicodelia, somada a esses ideais, formou um combo bombástico, que influenciou toda uma geração - e o Woodstock.

Curiosidade: Há, durante o livro, uma pequena aparição de  Marshall McLuhan, que da orientações publicitárias à Timothy Leary, quando este já se encontrava cercado por propagandas negativas sobre seus experimentos com drogas.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Woodstock: 3 dias de paz e música - O movimento Beat [Luiza Lambert] #1

Liberdade era a palavra de ordem. Foi para ela que toda uma geração rompeu paradigmas e foi ela que regeu os 3 dias do festival mais famoso do mundo. 


Esse post é feito a partir de uma análise do livro On The Road, de Jack Kerouac e do filme Easy Rider – Sem Destino. A ideia é abordar as origens do pensamento da geração que permitiu a realização do Woodstock.

O livro, que foi muitas vezes tido como uma “bíblia do movimento hippie” e como a obra mais icônica da geração beatnick, é de leitura fácil e cativante. Narra a jornada de jovens inquietos e insatisfeitos com a sociedade, cruzando os Estados Unidos em busca de aventuras, de liberdade.


Até o início dos anos 50, se encontrava vigente o chamado American Way of Life. Pessoas eram criadas para consumir, para ter. A geração beat era formada pelos filhos dessas pessoas, jovens que estavam cansados de seguir papeis predefinidos, entediados com a vida planejava que os pais levavam. Eles buscavam conquistas subjetivas. O SER entrava no lugar do TER. Como pôde ser observado no livro, eles não ligavam onde dormiam ou o que comiam, contanto que fossem livres. Espelhavam-se na Geração Perdida de 1920 – com diversas alusões à obra de Hemingway.
O filme, roteirizado por Peter Fonda e Dennis Hopper, é baseado no On The Road. Também capta com precisão a inquietude de uma geração, através de dois motoqueiros cruzando os Estados Unidos, sem preocupações ou expectativas. A diferença está no fato de que, por ter sido produzido em fins dos anos 60, o longa retrata o movimento hippie – baseado no beatnick. 
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