Para esta última quinzena de estudos sobre as apropriações do Twitter e seu diálogo com as mídias tradicionais, havia estabelecido em meu plano de estudos a tentativa de fazer algum contato com um especialista nesta área de mídias digitais, mas infelizmente não consegui. Com o final do semestre chegando, infelizmente, não houve disponibilidade de minha parte para encontrar com alguem. Fica a lição para a disciplina de Projetos AII, que, se caso eu necessite de alguma entrevista especial, devo planejá-la pelo menos para 3° quinzena. Porém, recorri à anotações feitas em algumas palestras sobre marketing digital que participei durante o semestre, como forma de tentar, pelo menos em parte, solucionar este problema. A alternativa encontrada foi válida porque em meus registros encontrei um aspecto interessante do microblog que eu ainda não havia me dado conta: o Twitter como gerenciador de audiências através dos perfis de celebridades.Por exemplo,os perfis de Marcelo Tas, William Bonner, dentre outros, dizem muito mais a respeito do que somente a popularidade das pessoas públicas que são.Elas refletem também a popularidade do contexto midiático no qual estão inseridos. Outra questão interessante é que normalmente as reclamações de produtos e serviços feitas via Twitter, podem ser mais eficazes do que reclamações via Procon, e traz resultados mais imediatos também, como mostra esta reportagem da Folha.
Tive uma conversa com alguns usuários e pude perceber que a percepção deles do Twitter, está relacionada com o uso que cada um faz do mesmo. Para alguns, o microblog serve como uma válvula de escape, no qual é possível expor situações cotidianas com um toque de humor e interagir com as pessoas que se identificam com cada situação. Já para outros, o Twitter serve como boletim diário das coisas que acontecem no mundo. Estas pessoas normalmente postam pouco e só seguem aquelas que divulgam conteúdos que as interessam. Há ainda aqueles que fizeram Twitter há muito tempo, quase não postaram nada e nunca entram, com a justificativa de que não entendem como o microblog funciona.
Justamente na reta final de meus estudos, foram divulgadas duas notícias importantes a respeito do Twitter. A primeira é o anúncio datado de 12 de junho dizendo que o funcionamento do Trending Topics mudou. A partir de agora eles serão selecionados de acordo com a região na qual o usuário mora, e os perfis que segue. Se por um lado é legal ficar sabendo justamente assuntos de seu interesse, por outro, o twitteiros ficarão condicionados a conviver sempre dentro de seu universo, com opiniões parecidas com a deles e o poder construtor do diálogo e da discussão se perde. Esta novidade se relaciona com a constante tendência de personalização da web, na qual algorítimos matemáticos selecionam o" conteúdo ideal para você", assim como o Facebook e o Google já faz. A segunda notícia é bem interessante, principalmente para nós, belo-horizontinos. De acordo com o jornal Financial Times, o Twitter pretende abrir um escritório em solo tupiniquim. A empresa estaria interessada em ampliar seus negócio pelo Brasil, visando principalmente a Copa do Mundo e as Olimpíadas e há boatos de que a cidade escolhida para abrigar tal escritório seria Belo Horizonte.
Durante estas cinco quinzenas de estudos, entendi que o Twitter é uma ferramenta de ativação que incita as pessoas a se posicionarem a respeito tanto de assuntos fúteis como de assuntos de extrema relevância. Pude perceber como o tema escolhido é amplo, podendo direcionar questões e estudos para diversas áreas, mas também percebi o como ele é legal de estudar. Talvez, seja porque é estimulante, para mim, ficar conectada, fazendo do que antes era apenas um passatempo, um objeto estudo, mas também porque analisar como 140 caracteres podem mobilizar de diferentes maneiras uma sociedade, é muito próximo de meu dia a dia, no contexto atual.
