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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Turismo Midiático [Patrícia Campos de Freitas] #5

Declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO, Verona é a segunda maior cidade da região do Vêneto e a segunda maior sede de ruínas romanas na Itália. Eternizada por William Shakespeare no clássico Romeu e Julieta, hoje Verona carrega o título de Cidade dos Namorados e  é um dos maiores pontos turísticos da Itália.

Bancada e estátua na Casa di Giulietta

Dois filmes foram assistidos para a elaboração deste post: Romeu e Julieta e Cartas Para Julieta. No clássico de 1968, Verona é apresentada como uma cidade com ruas de pedra, estreitas e poeirentas, que abrem para largos espaços comuns. Diferente Nottingham (apresentada no post anterior), Verona era uma cidade grande e mercantil e o filme a retrata fielmente, apresentando um mercado que se expande para além da praça central, onde se localiza uma igreja (teoricamente a Igreja de San Zeno), e entra em meios às ruas próximas. As casas são todas contruídas em pedra, o que sugere uma boa situação econômica, já que somente as familias mais ricas poderiam bancar uma construção deste tipo. O filme decorre principalmente em três espaços: a praça do mercado, a residência dos Capuleto e a igreja. Fiquei impressionada com o cuidado com que foram escolhidos os sets de filmagem, em especiais a praça e a igreja, que se assemelham tanto com os espaços reais em Verona que julguei serem os próprios. A visão panoramica da cidade apresentada na introdução do filme foi encoberta por névoa, mas a percepção de alguns elementos, em comparação com a mesma panorâmica apresentada em Cartas Para Julieta e em outras fotos encontradas na internet, sugerem que a própria Verona foi utilizada para a curta cena (é possível comparar os elementos citados nas fotos apresentadas abaixo).

Slideshow com fotos da cidade e do filme Romeu e Julieta

Existe um ponto turístico da cidade conhecido como a Casa di Giulietta, no entanto o filme de Franco Zeffirelli apresenta uma construção que muito difere desta. A famosa bancada de Julieta, por exemplo, que  na construção no centro Verona não passa de uma pequena varanda, no filme aparece como uma área que percorre uma grande extensão da lateral da casa. O filme Cartas Para Julieta, por sua vez, gira em torno de uma jovem americana que vai a Verona com o noivo, portanto apresenta um mais o lado turístico da cidade. A personagem de Amanda Seyfried visita paisagens famosas, como a Arena de Verona, a Piazza Erbe e a própria Casa di Giulietta, onde encontram-se a famosa bancada e uma estátua de mármore da heroína, que se tornou uma espécie de protetora dos namorados. O muro da construção medieval está  repleto de inscrições e declarações de amor, assim como das cartas endereçadas a Julieta que entitulam o filme.

Inscrição na parede da Casa di Romeo

Apesar de menos famosa, Verona conta também com uma construção gótica datada do século XIV, conhecida como a Casa di Romeo. A casa é habitada e fechada para visitações, o que deve ter contribuído para que sua fama fosse menor, mas isso não impede que vários turistas passem pelo local para fotografar a fachada e a placa com a inscrição: "Oh, onde estás Romeu?" "Ora! Já me perdi. Não estou aqui. Este não é Romeu, ele está em outro lugar." (Romeu e Julieta; Ato I, Cena I)¹

¹ Tradução livre
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Turismo Midiático [Patrícia Campos] #4

Localizada no norte da Inglaterra, a cidade de Nottingham é um local repleto de história e cultura que atrai 300,000 turistas por ano, não só pela sua agitada vida noturna ou pela sua importãncia histórica e arqueológica, mas principalmente por ser o palco das histórias de Robin Hood, o fora-da-lei mais famoso do mundo. As façanhas do justiceiro que se escondia na floresta de Sherwood promove a fama do local desde a Era Vitoriana e, apesar de praticamente toda a arquitetura medieval ter se perdido nos mais de 700 anos que nos separam da época de Robin Hood, os turistas ainda encontram em toda cidade e região, uma grande variedade de locais mencionados em suas histórias, desde o pub mais antigo da Inglaterra, o Ye Olde Trip To Jerusalem, que data do séc XII e é um dos locais onde a lenda começou a ser contada, até a igreja de St. Mary, uma construção gótica do séc XV, construída no mesmo local onde antes ficava a igreja mencionada nas baladas.

Vídeo turistico promovido pela Nottinghm Trent University, uma das duas grandes universidades cediadas na cidade


 Afim de me aprofundar na representação da cidade pela mídia, como me foi sugerido, assisti aos filmes As Aventuras de Robin Hood (1938); Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões (19991) e Robin Hood (2010); e a alguns episódios da série da BBC, Robin Hood (2006 – 2009), as quatro mais famosas dentre as mais de 80 adaptações da história. Com exceção do recente filme de Ridley Scott, que apresenta Nottingham como uma vila camponesa repleta de casas modestas e sem quaisquer muralhas ou defesas, as outras três produções apresentam algo razoavelmente semelhante ao que deveria ter sido a cidade no final do século XII: uma muralha de pedra circunda um aglomerado de casas variadas, desde as mais simples às mais luxuosas (nos padrões da época); ruas de terra batida serpenteiam pelas casas, levando a uma praça onde há uma igreja, um cadafalso armado para enforcamentos públicos e os portões que levam a um castelo medieval de pedra no topo da colina mais alta da cidade, Castle Rock. É evidente, no entanto, que cada uma destas adaptações apresentam a mesma Nottingham à sua própria maneira. No filme de 1938, a maior parte das cenas foram gravadas em estúdios e a cidade mal aparece em um plano geral, mas é possível perceber a forca em praça pública, as ruas inclinadas que levam ao castelo e as altas muralhas que protegem a cidade. Já no filme com Kevin Costner (1991) o castelo, que na realidade seria uma combinação de grandeza e desconforto, possui salões amplos e arejados e quartos confortáveis e a cidade fica por inteira em Castle Rock, sendo que o portão principal dá para uma descida que segue rente à muralha, colina abaixo. A série da BBC, por sua vez, apresenta uma cidade aparentemente plana, mas quando vista da floresta o castelo ergue-se acima das muralhas que protegem a cidade.



É importante mencionar que todas as produções que assisti convergem em um ponto: o lar de Robin e sues homens, a floresta de Sherwood, encontra-se afastada da cidade apenas por uma, não tão extensa, área descoberta. Em 1845 foi criado em Nottingham o Forest Recreation Ground, um parque que preserva uma pequena parte desta floresta que outrora estendia-se até uma milha da cidade e cuja principal reserva de proteção ambiental encontra-se hoje há aproximadamente 20 milhas de distância. Sherwood acabou por possuir uma grande importância científica internacional e parte da iniciativa da preservação da floresta, legalizada por volta de 1800, deve-se à sua associação com a lenda, como aponta a professora da UCLA, Christine Chim em entrevista realizada pelo History Channel no documentário “The Real Robin Hood”.

Em 2006, após o lançamento da série da BBC, o turismo da cidade e da Reserva Florestal de Sherwood sofreu um aumento considerável. Isso ocorreu novamente em 2010 com o lançamento do blockbuster que traz Russell Crowe no papel principal. Mas aqueles que procuram a cidadela medieval próxima a uma floresta apresentada nos filmes irão se decepcionar. Apesar de possuir referências à lenda até nos nome das ruas e promover festivais medievais onde é possível assistir a justas e competições de arco e flecha, nem mesmo o resistente castelo medieval sobreviveu aos séculos. Atualmente o topo da colina é coroado por um suntuoso palácio do século XVII, que funciona como museu da história da cidade e onde há uma estátua de dois metros de Robin Hood. 
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Turismo Midiático [Patrícia Campos] #3

Construída pelos etruscos na Idade do Ferro, Volterra costumava ser visitada principalmente por apreciadores de vinho, história e arquitetura, até que Stephanie Mayer a escolheu para ser o lar do clã dos Volturi. A autora conta que  não conhecia a cidade quando escreveu o capítulo passado na Itália e acabou descobrindo Volterra por acaso na internet; o nome, semelhante ao da realeza dos vampiros, chamou-lhe a atenção e a levou a escolher a cidade como palco do clímax de Lua Nova. 

Com o iminente sucesso da série muitos dos habitantes temeram a exploração comercial excessiva, opondo-se à ampliação do número de restaurantes e hoteis. O presidente da Câmara Municipal, Marco Buselli, confessou que preferia que a cidade mantivesse a sua autenticidade e não se transformasse em um cenário de cinema. Essa resistência inicial levou o estúdio a escolher Montepucciano como set de filmagem, mas nem por isso os fãs deixaram de visitar Volterra. Após o lançamento do filme, os guias turísticos lançaram-se em busca dos possíveis lugares onde Bella, Edward e Alice estiveram (apenas possíveis, pois a autora não conhecia a estrutura cidade ao descrevê-la) e conseguiram montar um intinerário que cobre o trajeto dos personagens.


Cenas de Lua Nova filmadas em Montepucciano, representando Volterra

O sucesso do tour é evidente. Em 2009, quando o filme foi lançado, a cidade contou com 50.000 noites de hotel adicionais e as reservas para o tour oficial precisavam ser feitas com meses de antecedência. Hoje, a visita ocorre uma vez por semana e pode ser reservada no mesmo dia, porém com 5 horas de antecedência. Os fãs, em sua maioria adolescentes acompanhadas dos pais, maravilham-se com a cidade e com o sangrento final artístico em um calabouço (na realidade um pub irlandês chamado Quo Vadis), mas não deixam também de apreciar a beleza autêntica da cidade, repleta de ruínas, vielas e com uma maravilhosa vista da Toscana. "Os vampiros podem não ter alma, mas Volterra tem.", diz a guia Dika Boelen, que mora e trabalha na cidade há mais de 25 anos.

Photobucket
Mapa com o intinerário do tour oficial e o suposto trajeto de Bella e Edward

Busseli conta sentir falta dos "tempos medievais", quando a cidade era mais pacata, no entanto não nega a importância da recente projeção mundial. "Graças a Crepúsculo, fomos poupados à crise", declara o presidente da Câmara.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Turismo Midiático - A Importância Econômica de Ser Um "Lugar da Mídia" [Patrícia Campos] #2

    Construída em 1852, a Estação de King's Cross de Londres é hoje um dos maiores centros de transporte da Grã Bretanha. Em seus 160 anos de existência, King's Cross foi palco de diversas histórias, como a série britânica Doctor Who e algumas aventuras de Sherlock Holmes, mas o que levou a estação à fama mundial foi seu papel nos livros e filmes da saga Harry Potter.
     
     Na história, King's Cross é o local onde os bruxos pegam o trem para Hogwarts. Logo que o primeiro filme foi lançado, a estação, que já conta com em média 80 milhões de passageiros por ano, deixou de ser apenas uma estação e tornou-se também ponto turístico. Uma réplica da Plataforma 9 3/4 foi instalada no interior da estação, afim de satisfazer a procura dos fãs.

 À esquerda, cena do primeiro filme, gravada entre as plataformas 4 e 5;  à direita, turista tira foto na réplica da plataforma

     O sucesso da série levou à criação de diversos tours especiais e King's Cross está no roteiro de todos. Pedi a um amigo que estava em Londres, Pedro D'Angelo, para procurar saber sobre lojas temáticas na estação, mas segundo ele a única atração da série é, de fato, a réplica da plataforma. Descobri, porém, em sites  especializados, que há rumores de que a Warner Bross está programando uma loja temática de Harry Potter próxima à Plataforma.

Encontro anual de fãs, dia 1º de setembro de 2011 

    Apesar do grande sucesso e da fama conquistada pela estação devido à obra de J.K. Rowling, não consegui encontrar dados pertinentes sobre a influência econômica exercida pela visita dos fãs. É de se imaginar que os visitantes comprem nas lojas da estação e há também, no dia 1º de setembro, um encontro anual de fãs entre as plataformas 9 e 10, mas até onde consegui descobri, o único impacto causado por essas visitas é o incômodo dos passageiro que precisam transitar com pressa pela estação.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Turismo Midiático - A Importância Econômica De Ser Um "Lugar da Mídia" [Patrícia Campos] #1


Nos últimos anos o mundo presenciou a febre mundial pela Saga Crepúsculo, mais uma série que, como tantas outras, conquistou inúmeros fãs e arrecadou milhões de dólares. O que nem todo mundo sabe é que a pequena cidade de 3532 habitantes onde a história acontece realmente existe, bem como todos os locais descritos nos livros, e o sucesso da série deu uma guinada de 180° no cotidiano da cidade.

     Pesquisando em sites sobre economia, cinema e sobre a própria série, descobri que antes do livro ser lançado o turismo em Forks resumia-se a 10000 visitantes por ano, a maioria pescadores e aventureiros que visitavam as florestas próximas. Em 2008, com o lançamento do primeiro filme, este número subiu para 19000 e em 2010 já chegava a 73000. Várias companhias de turismo do mundo inteiro criaram tours especias para os fãs e há até certas empresas cuja exclusividade são viagens relacionadas à Saga. A taxa dos hoteis aumentou 40%, foram abertas lojas temáticas e o Centro de Visitantes precisou ampliar seu staff para dar conta de todos os turistas. O próprio site da cidade foi alterado, sendo criada uma seção dedicada à série. Foram instaurados, ainda, o Twilight Day e o Stephanie Mayer's Day, ambos comemorados na semana do aniversário de protagonista Bella (13 de setembro)
 Apesar de parecerem absurdas para algumas pessoas, essas mudanças foram de grande importância para Forks, cuja economia se baseava na indústria de madeira e estava decaindo, levando os habitantes a procurar emprego nas cidades vizinhas. A associação com Crepúsculo também provavelmente desagrada a alguns dos habitantes, mas é impossível negar que Stephanie Mayer mudou a vida de Forks e de seus arredores. Sua obra expandiu o turismo para o ambito mundial e isso movimentou a economia e gerou novos empregos, o que, convenhamos, é sempre algo positivo.
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