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domingo, 24 de junho de 2012

As Musas Almodovianas [Thaiane Bueno] #5


Como já foi apresentado na minha primeira postagem, as mulheres sempre têm um lugar de destaque no cinema de Almodóvar. Então, decidi retomar esse tema, de forma mais abrangente, uma vez que, agora, já assisti a todos os filmes do diretor. Nas películas, observamos sempre mulheres de personalidade forte e que vivem intensamente suas experiências.

Para dar vida a personagens sempre tão peculiares, Almodóvar precisava de atrizes que fossem capazes de transmitir de forma convincente sua força e seus dilemas. Foi assim que suas “musas” começaram a ganhar destaque, e até mesmo, a terem sua figura associada à do diretor.

A primeira delas foi Carmen Maura, que atuou em sete dos 18 filmes de Almodóvar. Foi ela quem conseguiu financiamento para que o primeiro longa - Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão - fosse rodado. Antes disso, Carmen e Pedro já se conheciam bem, e ele tinha o costume de observá-la se preparando, sendo que, até os dias atuais, observar as atrizes no camarim é uma cerimônia que o fascina. Depois de passar por problemas pessoais, os dois ficaram 18 anos sem trabalhar juntos, até que retomaram a parceria em 2006, com Volver (filme visto por mim nessa quinzena). Entretanto, no último dia 14, Carmen deu uma entrevista ao jornal El País afirmando que não crê que vá trabalhar novamente com ele. Segundo a atriz, as filmagens do diretor são tensas.



Atualmente, a atriz que é mais associada a Almodóvar é Penélope Cruz. Ela atuou em quatro filmes, fazendo sua primeira aparição em Carne Trêmula, com um papel de pouco destaque. Já em Volver, Penélope interpreta, de maneira fascinante, Raimunda, que representa a síntese das mulheres “almodovianas”.  A personagem defende sua filha com todas as forças, mas ao mesmo tempo, é repleta de mágoas e traumas passados. Em Abraços Partidos – outro filme visto por mim nessa semana – Penélope representa a mulher que está no centro da trama. Porém, nesse caso, apesar de ser intensa, ela é uma mulher mais frágil e submissa, tendo grandes dificuldades para se libertar de empecilhos e alcançar seus verdadeiros desejos.

Em A Pele que Habito, o ultimo dos 18 filmes que eu assisti no decorrer do projeto, também há (supostamente) uma mulher no centro da trama. Ela é representada por Elena Anaya, que atuou nesse filme e em Fale com Ela. Acredito que esse caso se aproxime mais da teoria queer que da questão da feminilidade.

Além das atrizes citadas, há outras que atuaram em muitos filmes do cineasta, tais como Chus Lampreave (atuou em oito filmes), Marisa Paredes (atuou em seis filmes), Rossy de Palma (atuou em cinco filmes), e Victoria Abril (atuou em três filmes).

Almodóvar, Carmen Maura e Penélope Cruz nos bastidores de Volver

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domingo, 17 de junho de 2012

Mais Um Pouco de Teoria Queer [Thaiane Bueno] #4


No ultimo post fiz uma pequena abordagem conceitual sobre a teoria queer. Portanto, nessa postagem pretendo ligá-la aos filmes vistos na última quinzena, uma vez que estes estão mais diretamente ligados à teoria. Os filmes são “Tudo sobre minha mãe”, “Fale com ela”, e “Má educação”.

Tudo sobre minha mãe é o exemplo mais claro da teoria queer nos filmes do Almodóvar. Ele conta a história de Manuela, que perde seu filho num atropelamento. Posteriormente é revelado que o pai é um travesti chamado Lola, e que mesmo depois de ter se “transformado” há muitos anos, continua se relacionando com mulheres. Nesse caso, observamos a inexistência de limites no gênero. Apesar de ser um travesti e ter características físicas femininas, Lola continua agindo, em alguns aspectos, como indivíduos do sexo masculino, fugindo totalmente do comportamento que geralmente é esperado.

Cena em que Lola conhece seu filho
Um fato curioso em relação a essa personagem é mencionado no livro Conversas com Almodóvar, quando o diretor diz que “essa personagem foi inspirada diretamente por um travesti, que era proprietário de um bar na Barceloneta e vivia ali com sua mulher. Ele a proibia de usar minissaia, embora ele andasse de biquíni. (...) Na verdade, as cenas mais extravagantes de Tudo Sobre Minha Mãe são inspiradas na realidade, mas ainda estão aquém da realidade”.

Em Fale Com Ela, podemos associar o personagem de Benigno com a teoria queer, uma vez que ele se apaixona por Alicia, que está em coma. Nessa relação incomum, Benigno não assume uma performance de gênero bem definida. Em alguns momentos, tive a impressão de que ele chegava a assumir uma postura maternal em relação à paciente, e não como um indivíduo masculino, que tem interesses sexuais por ela.

Por fim, em Má Educação, apesar de haver muitos temas relacionados à gêneros, como relações homossexuais, e travestismo, não consegui enxergar associações com a teoria queer. 
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sábado, 2 de junho de 2012

Um Pouco de Teoria Queer [Thaiane Bueno] #3


Personagem "Letal", do filme "De Salto Alto"
Após assistir aos filmes propostos para a quinzena (De Salto Alto, Kika, A Flor do Meu Segredo, e Carne Trêmula ), fiz a leitura do texto Multidões Queer – Notas para uma política dos “anormais”, de Beatriz Preciado, que não estava incluído no plano de trabalho. Para complementar meu entendimento sobre a teoria, ainda li o artigo  “Os universos generificados de Almodóvar e Tarantino no cinema”, de Suane Soares.

Essa teoria queer, propõe que “não há diferença sexual, mas uma multidão de diferenças”. Ela é contra ideia da divisão em gêneros, e também contra a tentativa do movimento homossexual de se encaixar dentro do patrão da sociedade heterossexualizada. “O que importa não é a “diferença sexual” ou a “diferença dos/as homossexuais”, mas as multidões queer. Uma multidão de corpos (...)”.
Para entender melhor sobre a teoria, recomendo esse texto.

Ao ler sobre essa teoria, que parece ser muito radical, tendemos a pensar que o cinema de Almodóvar está relacionado a ela, uma vez que esse autor trata seus personagens homo e transexuais sempre de uma maneira muito aberta e espontânea. Pela minha análise, percebi que é nesse ponto que o diretor se aproxima da teoria queer: ao tratar as minorias de maneira tão natural, dentro da normalidade. Segundo o texto de Suane, existem elementos mais específicos que se aproximam da teoria, mas eles estão em filmes que estão em filmes que eu ainda não assisti, como “Tudo sobre minha mãe”, “Fale com Ela” e “Má Educação”.

Entretanto, os papéis sociais, mesmo que não convencionais, são mantidos nos filmes de Almodóvar. A diferença entre o masculino, feminino e o trans, geralmente são muito claras. Isso se reforça ainda mais com a perspectiva feminina com a qual os enredos costumam ser apresentados. E a partir daí, o diretor já passa a se distanciar do queer.

Apesar de não condizer totalmente com a teoria queer, acredito que seja de grande importância que Almodóvar se aproxime dela em alguns momentos. Creio também que o cinema tenha uma grande força social, portanto, representar tão naturalmente seus personagens que fogem da regra, que são exóticos, faz com que, gradativamente, eles passem a ser vistos pelo espectador da mesma forma. 
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Personagens Masculinas de Almodóvar [Thaiane Bueno] #2


Pedro Almodóvar é muito conhecido por suas personagens femininas, tendo sua imagem associada, freqüentemente, à de Carmen Maura ou Penélope Cruz. Entretanto, nessa segunda quinzena do projeto tive contato com obras que mostram que o cineasta também dirigiu personagens masculinos maduros. Foi a partir de “Matador” que os homens ganharam destaque e passaram a ser bem descritos. No filme em questão, vemos Antonio Banderas no início de sua carreira. Segundo o diretor “Antonio Banderas é o ator que melhor comunicou minha visão das personagens masculinas”. 

Após “Matador”, foi lançado o filme “A lei do desejo”, no qual o cineasta retrata um romance entre dois homens. Com isso, mais uma vez, os limites convencionais de gênero são questionados. É interessante perceber que o filme foi lançado 26 anos atrás, mas o tema da homossexualidade continua atual e polêmico, principalmente devido à maneira aberta e sem pudores com que a relação é retratada. Em 1986 – e até mesmo antes disso – o cinema de Almodovar já tratava com naturalidade assuntos que até hoje são tratados como tabu na televisão brasileira.

Pedro Almodóvar em fotografia para
o lançamento de  Matador
Já no filme seguinte (“Mulheres à beira de um ataque de nervos”), há Ivan, que pode ser considerado seu personagem masculino mais realista, uma vez que é um homem comum, que não consegue se prender a uma única mulher, e acaba causando conflitos e ressentimentos.  Em “Ata-me!” o protagonista é masculino, mas dessa vez ele se afasta do cenário cotidiano, já que é um ex paciente de um reformatório psiquiátrico, que seqüestra uma atriz e quer, de qualquer forma, ganhar seu amor e constituir uma família com ela.

Ainda nessa quinzena, fiz a leitura do texto “Corpos que pesam: Sobre os limites discursivos do sexo”. Entretanto, creio que seja mais viável associá-lo a futuras postagens, relacionadas à homossexualidade, travestismo ou transexual idade. 

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Os primeiros longas-metragens e as personagens femininas de Almodóvar [Thaiane Bueno] #1


Na primeira quinzena destinada à realização do projeto, assisti aos filmes “Pepi, Luci e Outras Garotas de Montão”, “Labirinto de Paixões”, “Maus Hábitos” e “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?”. Estes foram os primeiros longas-metragens dirigidos por Pedro Almodóvar, sendo que todos foram lançados na década de 1980. Nos filmes temos elementos que possibilitam uma rica observação acerca dos gêneros, uma vez que contamos com várias personagens femininas de destaque, transexuais, dentre outras que colocam em questão os limites de gênero e sexualidade.

Em “Pepi, Luci e Outras Garotas de Montão” temos três personagens femininas que são bons exemplos de como o diretor retrata a mulher em seus filmes. Pepi é uma garota criativa e moderna, Luci é uma dona de casa masoquista, e Bom que é uma cantora punk.Por trás de suas excentricidades, as três desejam a liberdade, mas são extremamente solitárias. No fim, Luci abre mão de ser livre e volta para seu marido, contrastando com as outras duas garotas que mantêm a liberdade, mas ficam sozinhas.

Bom, Pepi e Luci

No livro “Conversas com Almodóvar”, o autor disse: “Interessa-me muito esse caráter vago e deambulatório das personagens femininas. Uma pessoa solitária, que não tenha um objetivo particular e que constantemente beire o estado de crise encontra-se numa situação de grande disponibilidade, tudo pode lhe acontecer, e por isso é uma personagem ideal para contar uma história.”. Esse trecho explica claramente o gosto do cineasta por retratar mulheres conturbadas, e podemos confirmar isso assistindo aos seus primeiros longas.  


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