sexta-feira, 22 de junho de 2012

Os poetas anônimos da Pompéia: artefatos em latim vulgar [Lucas Afonso Sepulveda] #5

"Eles [os romanos] não eram insensatos, brutos ou violentos, tinham sentimentos e valores, muitos dos quais estão conosco, de forma transformada."
(FUNARI, P. Paulo. A vida quotidiana na Roma Antiga. Editora Annablume, 2003)

Grafite pompeiano, autor anônimo, tradução encontrada na obra de Funari

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Conar e os comérciais da Hyundai - [Marcos Cerqueira] #5



Para o fechamento do meu plano de projetos estudei as possíveis conseqüências das ousadas ações publicitárias da Hyundai. Como já tinha algum conhecimento prévio do assunto, fui ao site do Conar e busquei uma série de vídeos feitos pela Fiat ridicularizando o narrador e o texto dos anúncios da Hyundai.
Fazendo uma simples busca pelo site do Conar achei varias resoluções do ano de 2008 em que empresas entraram com recursos contra as propagandas. Como exemplo, cito o caso em que a Toyota entrou contra a ação que utilizava o seguinte slogan: "Mais potente que um Mercedes Classe C. Mais admirado que um Lexus 350. Mais espaço interno que uma BMW Série 7. E o mais importante: o preço".  Apesar da defesa, o Conar decidiu a favor da Toyota.
Esse não foi o único caso em que as propagandas comparativas da Hyundai geraram algum processo. Entre 2009 e 2010 a marca sofreu mais de dez processos no Conar, alguns tendo decisões favoráveis, contrárias ou outros sendo arquivados.
Um dos casos que teve mais repercussão foi a briga pública envolvendo Hyundai e Kia, empresas que parecem ser rivais mas são controladas pelo mesmo grupo coreano. A Hyundai em seus anúncios em que comparava o produto Tucson como campeão de vendas, não citava o Kia Sportage como concorrente direto, quando mais do que isso, são irmãos de plataforma, ou seja, compartilham os mesmos componentes na linha de montagem.
Por fim, coloco aqui um vídeo que a montadora Fiat fez, zombando da Hyundai e de seus anúncios com voz marcante e texto também.
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Vanessa Bruno, é um prazer te conhecer. [Fernanda Bontempo] #5

Meu quinto e último post desta etapa se sustenta na análise do ESTILO das campanhas da Vanessa Bruno de uma maneira geral. A meu ver, a marca enxerga a moda como uma obra de arte. E por isso, seus anúncios não podem ser simples propagandas, eles têm que ser inspiradores e grandiosos.

As campanhas revelam que são bem planejadas. A produção se mostra impecável, e nenhum detalhe parece ter saído errado. O estilo dos vídeos e fotos é basicamente o mesmo, artístico e conceitual. Investem em imagens bonitas e significados ocultos. Os produtos não se destacam, e os preços nunca aparecem. A marca tenta transmitir sensações. Ela busca despertar a curiosidade e mostrar sua essência de forma sutil.

São campanhas diferentes no mercado. Eu sinto que nelas a publicidade é trabalhada com paixão. Não querem simplesmente vender um produto, querem inovar, criar conceitos e transmitir ideias. Esse aspecto dos anúncios da Vanessa Bruno se conecta com o conteúdo do livro de Stalimir Vieira, “O raciocínio criativo na publicidade”, no qual diz que os publicitários criativos são movidos por paixão, que querem sempre sair do padrão e fazer o contrário do comum.

Em minha opinião, a equipe de criação da marca francesa é criativa e trabalha com intenção, com vontade de se destacar a tocar as emoções do consumidor. Talvez seja uma percepção falsa, mas é o que eu tento acreditar e quero trabalhar desta maneira. Criando campanhas inovadoras, artísticas e intensas, que despertem algo naqueles que tem contato com elas, e não apenas o desejo de consumo.

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O fim de uma história [Pedro Guimarães de Pinho] #5

 Oprah em meio a platéia, no episódio final de The Oprah Winfrey Show

 Oprah no estúdio, 25 anos antes, quando havia sido contratada pra reanimar um programa de baixa audiência em Chicago. 
Em 2011, The Oprah Winfrey Show completa 25 anos, em sua temporada final. Desde o anúncio de seu fim, em uma coletiva de imprensa, muito foi especulado sobre como se daria esse último episódio. Afinal, o programa de Oprah não era mais um pequeno show de verba pequena, com cadeiras de plástico e transeuntes na platéia. Pessoas esperavam meses para conseguir um ingresso, agentes de celebridades brigavam para conseguir que seus clientes fossem convidados para o programa e cada episódio mantinha níveis de audiência bem altos. O programa já havia sido exaustivamente copiado em inúmeros outros programas do mesmo nicho e era muito famoso ao redor do planeta. 
Os últimos episódios se dedicam a fazer uma retrospectiva, mostrando melhores momentos, entrevistas com produtores, bastidores de episódios famosos e velhos convidados retornando ao palco para mostrar que havia mudado em suas vidas. Faltando dois episódios para o fim, a equipe de Oprah faz uma suspresa de proporções gigantescas: Os apresentadores eram Tom Hanks e Tom Cruise, shows de Aretha Franklin e Beyoncé, além de uma aparição de Madonna, dizendo que Oprah foi uma grande influência em sua vida, entre muitos outros convidados estrela. 
Oprah e Madonna

Porém, esse grande espetáculo não se assemelharia muito aos 25 anos do programa. Oprah e sua equipe, em mais um inteligente jogo para conquistar a audiência, dedicam o programa final ao que o programa sempre foi: uma conversa com os espectadores. O último episódio não tem nenhuma surpresa, nenhum presente, nenhum convidado famoso. A última hora de 25 anos de programa é bem parecida com o primeiro episódio: Oprah, em meio a platéia, conversando sobre o que o público havia tirado nesses 25 anos. Dessa forma, se finaliza um programa que soube manter sua identidade (que funcionou muito em termos monetários) e fidelizar seus espectadores, ao tentar construir uma identificação entre o público e o que estava na televisão.

 

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Martin Scorsese e a violência: Cassino e Os Infiltrados [Nina Rocha] #5


Em grande parte de sua filmografia, Martin Scorsese brinca a todo instante com o crime e seu maior e mais fatal flerte é com a mafia. Nos filmes selecionados para esta quinzena os mafiosos são personagens centrais nas histórias, e diferente do usual, Scorsese desloca essas tramas de Nova York, sua cidade natal e mais presente em seus filmes, para Las Vegas e Boston.

Em Las Vegas acontece a história de "Cassino", que muitos consideram como um primo próximo de Bons Companheiros, tanto pelo elenco, tanto quanto pela semelhança que os próprios personagens vividos pelos mesmos atores apresentam nas duas tramas, como é o caso do gangster vivido por Joe Pesci. O longa retrata a história de Sam Ace, interpretado por Robert De Niro, que se torna gerente de um cassino em Vegas e toda sua trajetória com o envolvimento com o crime organizado, não só nas atrações de jogos de azar, mas também nos jogos de poder de corrupção que nutrem a atmosfera própria daquele local. Ace também possui um relacionamento com uma prostituta vivida por Sharon Stone, com quem se casa e nutre uma relação fundamentada em ciúmes - semelhante a que Robert De Niro interpreta em Touro Indomável - e traição. 

Em Boston, Scorsese relata, em seu filme mais premiado, um policial infiltrado em uma facção da máfia irlandesa e um agente da máfia infiltrado na policia, focando na história da vida dupla e perigosa que ambos levam. Ambos crescem e ganham confiança no lugar onde foram infiltrados - que pode ser comparado a história do também infiltrado na máfia Amsterdam, em Gangues de Nova York. Apesar de cenas explicitas de violência física, tal como a marcante onde Jack Nicholson bate na mão quebrada de Leonardo DiCaprio com uma bota, o filme retrata bem mais, e de uma forma bem real  o drama que passa o personagem que precisa acobertar duas vidas e não poder de fato fazer parte de nenhuma e como isto o perturba e reflete em seu comportamento bruto e violento. 


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Percepções sobre o Twitter [Larissa Campos] #5


Para esta última quinzena de estudos sobre as apropriações do Twitter e seu diálogo com as mídias tradicionais, havia estabelecido em meu plano de estudos a tentativa de  fazer algum contato com um especialista nesta área de mídias digitais, mas infelizmente não consegui. Com o final do semestre chegando, infelizmente, não houve disponibilidade de minha parte para encontrar com alguem. Fica a lição para a disciplina de Projetos AII, que, se caso eu necessite de alguma entrevista especial, devo planejá-la pelo menos para  3° quinzena. Porém, recorri à anotações feitas em algumas palestras sobre marketing digital que participei durante o semestre, como forma de tentar, pelo menos em parte, solucionar este problema. A alternativa  encontrada foi válida porque em meus registros encontrei um aspecto  interessante do microblog que eu ainda  não havia me dado conta: o Twitter como gerenciador de audiências através dos perfis de celebridades.Por exemplo,os perfis de Marcelo Tas, William Bonner, dentre outros, dizem muito mais a respeito do que somente a popularidade das pessoas públicas que são.Elas refletem também a popularidade do contexto midiático no qual estão inseridos. Outra questão interessante  é que normalmente as reclamações de produtos e serviços feitas via Twitter, podem ser mais eficazes do que reclamações via Procon, e traz resultados mais imediatos também, como mostra esta reportagem da Folha.  



Tive uma conversa com alguns usuários e pude perceber que a percepção deles do Twitter, está relacionada com o uso que cada um faz do mesmo. Para alguns, o microblog serve como uma válvula de escape, no qual é possível expor situações cotidianas com um toque de humor e interagir com as pessoas que se identificam com cada situação. Já para outros, o Twitter serve como boletim diário das coisas que acontecem no mundo. Estas pessoas normalmente postam pouco e só seguem aquelas que divulgam conteúdos que as interessam. Há ainda aqueles que fizeram Twitter há muito tempo, quase não postaram nada e nunca entram, com a justificativa de que não entendem como o microblog funciona.

Justamente na reta final de meus estudos, foram divulgadas duas notícias importantes a respeito do Twitter. A primeira é o anúncio datado de 12 de junho dizendo que o funcionamento do Trending Topics mudou. A partir de agora eles serão selecionados de acordo com a  região na qual o usuário mora, e os perfis que segue. Se por um lado é legal ficar sabendo justamente assuntos de seu interesse, por outro, o twitteiros ficarão condicionados a conviver sempre dentro de seu universo, com opiniões parecidas com a deles e o poder construtor do diálogo e da discussão se perde. Esta novidade se relaciona com a constante tendência de personalização da web, na qual algorítimos matemáticos selecionam o" conteúdo ideal para você", assim como o Facebook e o Google já faz. A segunda notícia é bem interessante, principalmente para nós, belo-horizontinos. De acordo com o jornal Financial Times, o Twitter pretende abrir um escritório em solo tupiniquim. A empresa estaria interessada em ampliar seus negócio pelo Brasil, visando principalmente a Copa do Mundo e as Olimpíadas e há boatos de que a cidade escolhida  para abrigar tal escritório seria Belo Horizonte.

Durante estas cinco quinzenas de estudos, entendi que o Twitter é uma ferramenta de ativação que incita as pessoas a se posicionarem  a respeito tanto de assuntos  fúteis como de assuntos de extrema relevância. Pude perceber como o tema escolhido é amplo, podendo direcionar questões e estudos para diversas áreas, mas também percebi o como ele é legal de estudar. Talvez, seja porque é estimulante, para mim, ficar conectada, fazendo do que antes era apenas um passatempo, um objeto estudo, mas também porque analisar como 140 caracteres podem mobilizar de diferentes maneiras uma sociedade, é muito próximo de meu dia a dia, no contexto atual. 




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Turismo Midiático [Patrícia Campos de Freitas] #5

Declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO, Verona é a segunda maior cidade da região do Vêneto e a segunda maior sede de ruínas romanas na Itália. Eternizada por William Shakespeare no clássico Romeu e Julieta, hoje Verona carrega o título de Cidade dos Namorados e  é um dos maiores pontos turísticos da Itália.

Bancada e estátua na Casa di Giulietta

Dois filmes foram assistidos para a elaboração deste post: Romeu e Julieta e Cartas Para Julieta. No clássico de 1968, Verona é apresentada como uma cidade com ruas de pedra, estreitas e poeirentas, que abrem para largos espaços comuns. Diferente Nottingham (apresentada no post anterior), Verona era uma cidade grande e mercantil e o filme a retrata fielmente, apresentando um mercado que se expande para além da praça central, onde se localiza uma igreja (teoricamente a Igreja de San Zeno), e entra em meios às ruas próximas. As casas são todas contruídas em pedra, o que sugere uma boa situação econômica, já que somente as familias mais ricas poderiam bancar uma construção deste tipo. O filme decorre principalmente em três espaços: a praça do mercado, a residência dos Capuleto e a igreja. Fiquei impressionada com o cuidado com que foram escolhidos os sets de filmagem, em especiais a praça e a igreja, que se assemelham tanto com os espaços reais em Verona que julguei serem os próprios. A visão panoramica da cidade apresentada na introdução do filme foi encoberta por névoa, mas a percepção de alguns elementos, em comparação com a mesma panorâmica apresentada em Cartas Para Julieta e em outras fotos encontradas na internet, sugerem que a própria Verona foi utilizada para a curta cena (é possível comparar os elementos citados nas fotos apresentadas abaixo).

Slideshow com fotos da cidade e do filme Romeu e Julieta

Existe um ponto turístico da cidade conhecido como a Casa di Giulietta, no entanto o filme de Franco Zeffirelli apresenta uma construção que muito difere desta. A famosa bancada de Julieta, por exemplo, que  na construção no centro Verona não passa de uma pequena varanda, no filme aparece como uma área que percorre uma grande extensão da lateral da casa. O filme Cartas Para Julieta, por sua vez, gira em torno de uma jovem americana que vai a Verona com o noivo, portanto apresenta um mais o lado turístico da cidade. A personagem de Amanda Seyfried visita paisagens famosas, como a Arena de Verona, a Piazza Erbe e a própria Casa di Giulietta, onde encontram-se a famosa bancada e uma estátua de mármore da heroína, que se tornou uma espécie de protetora dos namorados. O muro da construção medieval está  repleto de inscrições e declarações de amor, assim como das cartas endereçadas a Julieta que entitulam o filme.

Inscrição na parede da Casa di Romeo

Apesar de menos famosa, Verona conta também com uma construção gótica datada do século XIV, conhecida como a Casa di Romeo. A casa é habitada e fechada para visitações, o que deve ter contribuído para que sua fama fosse menor, mas isso não impede que vários turistas passem pelo local para fotografar a fachada e a placa com a inscrição: "Oh, onde estás Romeu?" "Ora! Já me perdi. Não estou aqui. Este não é Romeu, ele está em outro lugar." (Romeu e Julieta; Ato I, Cena I)¹

¹ Tradução livre
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Apaixonados por cinema [Luísa Teixeira de Paula] #5

A existência de uma loja Ponto Frio na sede do antigo CineShopping Art Palácio, na avenida Paraná em Belo Horizonte, não parece ser de todo impensada, uma vez que os carros-chefe atuais da marca sejam justamente as novas tecnologias que pretendem trazer a experiência do cinema à sua sala, como as grande Smart TVs em 3D e aparelhos Blue-ray. Com isso, a questão O que leva as pessoas às salas de cinema?, que começou a tomar forma no último post, ganha uma nova importância. De acordo com Viviane Melano, que optou pelo comodismo de assistir a seus filmes preferidos em casa, é justamente o fator conforto que acabou por pesar nessa decisão. “Mas é mesmo por comodismo, a palavra é essa. É o conforto de estar em casa, poder parar a hora que quiser, sabe? De fazer no meu tempo(...) Mas assim, não comparo. Não acho que seja melhor, não acho que substitua”, afirma ela, em uma sessão do FIT (Festival Internacional de Teatro Palco e Rua) no Cine Humberto Mauro.

Ainda que muitas pessoas compartilhem dessa mesma opinião, o que se vê, em sua grande maioria, é que os reais admiradores das salas cinema - sejam elas de shopping ou rua -, não trocam a experiência do escurinho do cinema por nada. “Não adianta só você pegar o filme e assití-lo em casa. A experiência é tudo: é vir ao cinema, sentar na cadeira do cinema (...), uma coisa só não tem tanta emoção quanto tudo junto”, diz Bruna Marques, presente em  uma exibição no Usiminas Belas Artes com o namorado, Pedro, que completa: “quando você entra numa sala de cinema, você desperta, se distancia do restante do mundo. E quando você vê um filme simplesmente na sala de casa, várias coisas tendem a  atrapalhar o momento.”

Para o estudante de Fotografia Eduardo, e o gerente Alísio,  frequentadores do Cineart - Shopping Cidade, outro aspecto muito importante é o fator social: “eu ainda venho no cinema por causa desse clima cinemático, dessa loucura, dessa luz baixa e tal. E também por causa da companhia”, diz o primeiro. O outro completa: “é um ponto de encontro, um jeito de ver caras novas; uma oportunidade de sair de casa (...) E ainda tem aquela vontade de quando ainda se espera pelo cinema, você toma um chopinho, come um tira-gosto, encontra uma pessoa ou outra e por ai vai.” O estudante Diego Lacerda, no Belas Artes,  vai além: “Ah, acho que é uma forma de socializar, querendo ou não, com amigo, parceira, parceiro. Acho que é basicamente isso e acho que é interessante. É mais gostoso assistir no cinema.”  

Na crônica “De mãos dadas no cinema”, a jornalista Martha Medeiros explora justamente essa concepção romântica das salas de cinema, que acompanha a história das telonas desde sempre. “Namoro que é namoro está representado por algo muito (...) simples, sutil, barato e íntimo: os dedos entrelaçados no escuro do cinema(..), que não são uma representação pública de amor, e sim um carinho privado (...) num espaço compartilhado com estranhos, no escuro.”

Dessa maneira, o cinema se define como uma “mistura de expressões humanas, sensibilidade e intuição”, de acordo com Delfim Afonso, chefe do departamento de Comunicação Social da UFMG. É nesse espaço que uma história bem contada pode tirar o fôlego de dezenas de espectadores ao mesmo tempo, que têm suas histórias pessoais misturadas umas às outras, embaladas pelo escurinho aconchegante, pela telona.

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O último trago [Thaiz Maciel] #5


Ao longo do desenvolvimento deste trabalho pude pesquisar a respeito de diversas fases e características da propaganda pró e contra tabaco ao longo dos anos. As primeiras décadas, discutidas na primeira e segunda postagem, foram marcadas pela associação do tabagismo ao glamour, independência, sucesso e sensualidade, porém o enquadramento do assunto foi sendo alterado devido a estudos que comprovavam uma enorme quantidade de malefícios à saúde e ao bem estar ocasionados pelo fumo. Não mais se podia utilizar a imagem de médicos e crianças nas propagandas, chegaram as proibições para televisão e eventos públicos e logo depois a obrigatoriedade da contra-propaganda nas embalagens de cigarro. Apesar da mudança drástica na abordagem, as entrevistas coletadas para a quarta postagem apresentaram diversos argumentos que afirmam a existência de uma mentalidade ainda bastante ligada à realidade apresentada pelo cinema e cenário musical das décadas de 60, 70 e 80, caracterizados fortemente por um sentimento de rebeldia e inovação atrelado a figuras de destaque fenomenal, como os Beatles, por exemplo.

A fim de promover a conscientização de que fumar causa danos graves à saúde, diversos países adotaram estratégias de comunicação bastante agressivas, fazendo uso de imagens de grande apelo e proibindo a propaganda nos veículos de massa e nos pontos de venda. Pesquisas indicam a redução progressiva do número de fumantes, porém resta saber até que ponto a contra-propaganda é convincente e considerada na decisão das novas gerações a respeito do tabagismo.


                         
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O Discreto Charme da Burguesia[Nina Goulart]#5



O Discreto Charme da Burguesia, de 1972, foi o primeiro filme de Luis Buñuel a que assisti, reponsável por despertar o meu interesse na obra do autor. Em sua biografia (Mon Dernier Soupir, Meu Último Suspiro, 1982) o diretor fala sobre a idéia do filme e o desafio de desenvolvê-la sem deixar que seu tom de absurdo prevalecesse sobre a verossimilhança. Isso se deve ao fato de que o enredo trata, basicamente, de um grupo de amigos da alta sociedade - burgueses - que tenta se reunir para compartilhar uma refeição e, um escopo aparentemente simples que pelas mais inusitados razões não consegue ser efetivado. Uma interessante estratégia usada para tornar surrealismo inerente aos imprevistos mais assimilável é a utilização de simulacros oníricos justificados como sonhos propriamente ditos - o ápice da perplexidade de vários dos acontecimentos é seguido pelo despertar de alguma personagens, proporcionando certo alívio ao espectador, conduzindo a trama uma lógica mais tradicional. Isso torna o filme mais 'digerível' e acessível ao público, mas sem interferir em seu caráter crítico e inovador, conjunto de fatores que provavelmente possibilitaram a Buñuel duas indicações ao Oscar no ano de 1973, nas categorias de Melhor Roteiro Original - que contou com a colaboração de Jean-Claude Carrière - e Melhor Filme Estrangeiro. Numa passagem mais ousada é utilizada uma passagem em que há sonho dentro de sonho.



Como sugere a ironia do título, absolutamente preciso e adequado, o filme retrata a frivolidade e a ausência de sentido da vida dos personagens, crítica que se estende à toda a sociedade burguesa.
A trama é permeada por uma série de referências críticas e sarcásticas às intituições sociais e à moral burguesa-cristã inerente a elas, a Igreja, na figura do padre que abençoa hipocritamente o moribundo e em seguida vinga o assassinato dos pais, as interferências desconfortáveis dos militares, a relação dos homens poderosos da alta sociedade com o tráfico de drogas, a diplomacia dissumulada e a iminência do terrorismo, o casamento e o adultério.
Além do aspecto crítico politico-social, considero interessante pontuar a caracteristica aflitiva que marca a obra do cineasta. A mesma constante sensação de frustração dos filmes anteriormente analisados é identificada, de um modo geral, na incapacidade de consumir a refeição, remetendo à referida incapacidade de consumar compartilhada pelos personagens.
Após assistir a outros filmes do diretor, rever a presente obra me proporcionou uma experiência diferente - devo confessar que ver os burgueses sob o viés da impotência e da frustração me incutiu uma boa dose de condescêndencia. Assim, a primeira impressão de crítica a algo exterior, a uma sociedade e um sistema de produção foi sobreposta por uma incômoda sensação de solidariedade em relação aos burgueses, que com suas futilidades e vícios representam apenas aspectos desagradáveis porém inerentes à condição humana.
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Os profissionais da Comunicação nas telas de Cinema - Cinema Nacional [Amanda Almeida] #5


Chegamos à última postagem do Projeto, e o filme escolhido para fechar esse ciclo é “Tropa de Elite 2” (2010), que traz um profissional do Jornalismo no nosso cenário nacional.

Sobre o personagem em questão:

Quem? Fortunato (André Mattos), apresentador (e Deputado Estadual)

Onde? Mira Geral, Rio de Janeiro

Quando? 2010

Como? Com um estilo irreverente, Fortunato apresenta um programa de jornalismo policial, com altíssima aceitação da população. Além de apresentador, Fortunato também é deputado estadual, e por trás das câmeras, é visível a ideia de que lidera o programa tendo em vista seus interesses políticos.

Por quê? Em uma trama com foco no conflito entre polícia e milícias, Fortunato é um dos personagens que dá apoio às milícias. Em meio a todos os esquemas de sua campanha eleitoral, envolve-se em inúmeras atividades ilegais. Acaba sendo preso após o depoimento de Capitão Nascimento (Wagner Moura) em uma CPI.

Num cenário de ano de eleição, todos os movimentos do departamento de Segurança Pública do Rio tinham o intuito de angariar votos, assim como a atuação de Fortunato à frente de seu programa. Nele, ele descontrói todo o caráter imparcial do jornalismo policial. Sua interação com a câmera é quase íntima. Através dela, assume um discurso direto tanto com o povo quanto com as autoridades. Colocando-se como parte afetada pelo problema em questão, e estabelecendo uma relação única com seu público, registra altos índices de audiência. Uma citação do Capitão Nascimento que pode ilustrar perfeitamente o papel de Fortunato é a de que “o sistema é pautado pela política, e a política só respeita a mídia”. Enquanto as práticas corruptas permaneciam ocultas, elas continuariam a acontecer. Tendo um papel fundamental nas manobras políticas, a mídia ditaria, em certa medida, os rumos eleitorais (sendo a atuação de Fortunato em seu programa uma parte essencial desse processo). A partir do momento em que Fortunato é exposto como parte ativa do sistema, não cabia mais a ele o papel de representante da mídia. 

Confira uma das cenas do personagem à frente de seu programa:


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Hoje em dia [Ana Luiza Pio] #5

Em 2006, a Capricho passou por um processo de reformulação editorial e gráfico que ditou o tom que a revista segue até hoje. A ideia dessa reforma era de modernizar a revista, aproximá-la mais da realidade da jovem leitora e também de trazer, a partir de seu projeto gráfico, maior prazer tátil e visual. A revista queria, então, abrir espaço para a valorização da arte, ampliando o leque visual e apelando para um visual bem “feito a mão”, bem minimalista, com ilustrações e detalhes “bordadinhos”. Também foi proposto que a cada ano deveria ser feita a renovação da linguagem gráfica da revista, o que explica por que esse visual artesanal não foi mantido ao longo dos anos.


















Esse estilo trabalhado não necessariamente acompanhou uma mudança significativa no conteúdo abordado. As matérias continuam variando num contexto bem específico, abrangendo os assuntos “básicos” do dia-a-dia adolescente: escola, vida afetiva/sexual, preocupações com moda e beleza..  Os testes também se faziam presentes, as previsões astrológicas e a exploração de figuras públicas, como na capa da Jennifer Aniston.


















Também se pode perceber uma tendência crescente por parte da Capricho de criação de suas próprias personalidades de impacto, como a cantora Manu Gavassi que contou com o apoio da revista para sua publicidade e seu background como integrante da Galera Capricho como forma de identificação com os fãs. Vê-se também o exemplo dos integrantes do Vida de Garoto (Federico Devito, Caíque Nogueira e Dudu Surita) que se tornaram “celebridades” graças a visibilidade ganhada como “colírios Capricho”. Essa publicidade fornecida pela Capricho acabou tendo forte influência no seu conteúdo e também agiu como determinador de público, uma vez que a identificação com a nova linha da revista não era absoluta.
















Apesar de todos os preconceitos de época, imposições sociais e mudanças sofridas pela Capricho em toda a sua trajetória, ela integrou e integra o cenário da vivência adolescente de muitas meninas. Abaixo constam  depoimentos do papel dela para algumas meninas.

" Da Caprinho "da minha época", eu gostava da coluna de micos, que se não me engano chamava King Kong. Os micos do passado eram bem melhores que os de hoje em dia. (Ou talvez eu só fosse mais ingênua)". -  Amanda Almeida, 19

" Eu ADORAVA Capricho! Passei muitas aulas na vida lendo a revista! Uma amiga assinava e deixava pra levar quando juntasse umas 6, no mínimo, porque elas eram muito concorridas haha. A gente sempre juntava e lia em dupla, trio. A seção de sexo sempre fazia sucesso! Mas sempre tive um amorzinho pela coluna do Antonio Prata, na última página". -  Luísa Teixeira, 20

"A capricho de agora é bem menos interessante pra mim, claro, porque eu cresci muito e mudei muito. Mas acho que as meninas de 12, 13,14 anos também vivem uma realidade muito diferente da minha quando eu tinha essa idade. O namoro e o sexo são muito mais presentes. Só uma coisa nao munda: os amores loucos pelas bandas, pelos cantores e pelas músicas grudentas". -  Eduarda Rodrigues, 19

" EU amava Capricho! Eu comprava e ia direto para a última página ler a coluna do Antônio Prata.. depois procurava na revista a coluna da Liliane Prata ( que inclusive, formou na UFMG) e dava gargalhadas dos comentários dos micos com Jerry Dias.Me lembro ate hoje da alegria que eu fiquei quando uma moça da capricho ligou lá para a casa falando que infelizmente eu nao tinha sido selecionada para a Galera, mas como teve muita inscrição legal eles selecionaram algumas pessoas que não foram da para a Galera para participara de um grupo chamado Fraternidade Capricho, e eu era uma dessas pesoas! Confesso que a Capricho foi muito importante para tomara a decisão de fazer comunicação e quando eu tinha tipo 15 anos meu sonho era escrever na revista. Capricho era demais! pena que hoje o conteúdo dela decaiu muito."                   - Larissa Campos, 20

(sobre a seção de sexo) " Parece que retrocedeu sabe, ao invés de abrir mais espaço deu a impressão de que virou tabu." - Patrícia Campos, 19
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Sandy em Manuscrito [Ana Luisa Macedo] #5


Nessa última postagem resolvi alterar o cronograma, de acordo com ele, estava programado para essa quinzena a análise da performance do cantor  Criolo. No entanto, minha intenção com as análises dos programas era abordar estilos musicais distintos, dessa forma, por achar que o estilo do cantor se aproxima, de certa forma, ao do grupo Racionais MC’S - do qual falei no meu terceiro post - optei por analisar a edição com a cantora Sandy. Uma apresentação mais recente, assim como a do Criolo e que atendeu melhor ao meu propósito.  Diferentemente do último programa, esse não me trouxe muitos desafios e nem mostrou grandes novidades ou curiosidades. A utilização de elementos externos, utilizados como forma de ilustrar a fala do convidado, foi mais uma vez acionado, diria até que de forma excessiva, algumas fotos e alguns trechos de vídeos são mostrados, como quando a cantora fala de sua família e da carreira que tinha com o irmão. Outro elemento que já tinha sido observado em outras análises, foi o “não exagero” dos super closes, apesar de se manterem, os planos americanos apareceram com mais frequência.  Um fato curioso é como a artista se comporta diante às perguntas, a cantora inicia sua resposta retomando a pergunta, algo que ainda não tinha observado em nenhuma das outras entrevistas analisadas.  Outro ponto que se destacou também nessa edição, em comparação com as outras, foi a permanência da cantora em sua “zona de conforto”, Sandy falou de sua carreira solo, sua trajetória pessoal e de seu relacionamento com a família, no entanto, nada de novo, mais do mesmo. Até quando canta música de outros artistas, opta por interpretar canções de seus cantores preferidos.
Ao longo dessas cinco postagens e dos quatro programas analisados, pude perceber algumas transformações no programa durante os anos. No entanto, são mudanças pontuais, não posso falar com precisão, pois observei apenas quatro edições em um universo de mais de setecentas. No relatório final procurarei enumerar essas mudanças, comparando as apresentações analisadas. Abaixo segue um trecho da entrevista com a cantora.


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Crowd everything [Augusta Deluca] #5

    Quatro quinzenas de pesquisa serviram para que eu entendesse melhor do que se trata o crowdsourcing e como ele se desmembra, como é adaptado, e quais práticas a ele se relacionam. Até o momento falei sobre crowdfunding, crowdlearning e coworking. Há várias outras formas de crowdsourcing além dessas, mas apenas três meses de trabalho não dão conta da pluralidade dessa prática contemporânea. Com apenas mais um post de relato, portanto, selecionei dois outros tipos de crowdsourcing para pontuar, de forma mais resumida, vista que dessa vez o assunto é maior e o espaço – pequeno – continua o mesmo. Usarei dessa vez a estrutura de tópicos para simplificar. 
Crowdvoting
    São conhecidos como formas de crowdvoting os sites que permitem que pessoas entrem e votem de forma a deliberar as ações do próprio site. Simplifico isso com um exemplo brasileiro, o Camiseteria. Os usuários do site enviam design de estampas que são votadas pelos próprios usuários; as estampas mais votadas são produzidas e vendidas no site. O Camiseteria segue o site mais famoso desse modelo, o Threadless. Sites como iStock Photos também são crowdvoting. Aqui os usuários enviam fotografias e ilustrações que são vendidas à outros usuários, e tanto site quanto autor da foto ou vetor recebem por elas.




Flash Mob e Smart Mob
    “Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada”.¹ A diferença de Smart pra Flash Mob é que o primeiro geralmente ocorre por alguma causa - geralmente política, não com o propósito apenas de intervenção ou divulgação de eventos. Tanto o Flash Mob quanto o Smart Mob não aparecem em listas de formas de crowdsourcing, mas assim como o coworking se enquadram na pesquisa por representarem muito bem os ideais de coletividade e compartilhamento. Coloquei-os como exemplo porque quis mostrar como o crowdsourcing se insere em muitas práticas e plataformas que utilizamos corriqueiramente, e que muito dizem do atual contexto em que vivemos.
Crowd everything
    Realmente não há espaço nem tempo para discorrer sobre cada um, portanto vou apenas enumerar alguns: Wikipédia - e todas as outras formas wiki, crowdcasting, crowd computing... Toda prática que envolve compartilhamento de ideias e realização de ações de forma colaborativa são crowdsourcing de certa forma. 

Na Wikipédia há uma lista de projetos de crowdsourcing que vale a pena ser conferida:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_crowdsourcing_projects

¹<http://en.wikipedia.org/wiki/Flash_mob
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Cidade de Deus: um turismo não planejado [Milton Guimarães#5]




Encerrando as postagens sobre a temática do turismo cinematográfico, buscarei nesta ultima postagem analisar como filmes, que não possuem um enfoque turístico, podem gerar diferentes percepções  a partir de sua produção.               
Um filme que assisti recentemente foi “Cidade de Deus”. A produção de 2002, conta com a direção de Fernando Meirelles e narra a vida de um rapaz chamado Buscapé, e seu sonho de ser fotógrafo em meio ao ambiente marcado por violência e corrupção humana. O filme conduz à uma demonstração forte e profundada da violência na favela e como os moradores dali lidam com isso. É importante ressaltar que muitas cenas conseguem chocar o espectador, já que, o roteiro possui um embasamento na narrativa de cenas violentas e bastante dramáticas.
            A favela é apresentada como um cenário de muita violência e que dificilmente conseguiria atrair a atenção de turistas para a visitação desses locais. Mas, diferentemente do que se imaginava, logo após a estreia de “Cidade de Deus” no exterior, a fama da favela carioca aumentou e a percepção turística que não era esperada pelos produtores do filme e por políticos cariocas, acabou acontecendo. E assim o governo decidiu abrir as portas das favelas para visitações de cunho turístico.
            Mas o que faz estrangeiros visitarem estes locais é uma questão relevante, já que, por ser um cenário de miséria e violência, os atrativos são mínimos. Para a autora do livro “Gringo na lage”,Bianca Freire Medeiros, o turismo em favelas, mais conhecido como turismo de miséria, consegue chamar a atenção de turistas de regiões como Europa e América do Norte, porque os índices de violência das favelas são muito maiores do que os países desenvolvidos onde vivem os turistas. Com isso, o estrangeiro sente-se desafiado a conhecer esses locais para entender a vida dos cidadãos apresentados no filme “Cidade de Deus”.

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Quem poderá me defender? O Jeca Tatu! [Eduarda Rodrigues] #5


Jeca Tatu é um homem, um caipira e um semi analfabeto. Mas antes de tudo é uma personagem, uma construção feita por um ator que encarna o esteriótipo de uma classe. Tentar entender como funciona essa caracterização é o objetivo desse post final, além de buscar informações a partir da ótica do telespectador e perceber como ele enxerga o famigerado caboclo de Mazzaropi.
Antes de mais nada, pesquisando sobre as influências que o artista paulista recebeu, encontrei em muitos lugares a nomenclatura dada a Mazza de Charles Chaplin brasileiro, fazendo referência a Carlitos, a simpática e desastrada criação do ator inglês. Em 2011 uma mostra foi produzida pela Prefeitura de São Paulo com o intuito de traçar esta comparação entre artistas tão carismáticos e que buscavam entender a mudança vivida pela população recém chegada a cidade moderna.
Usando dois filmes como exemplo, ambos já discutidos no blog,“Mazzaropi em Jeca Tatu” e “A tristeza do Jeca”, posso traçar diferenças quanto a função de Jeca na narrativa. Enquanto no primeiro ele consegue ser o herói, aquele que vence o vilão, no segundo ele é apenas um peão no jogo político. Mas em ambos os casos, a comédia e a supervalorização de traços rústicos, das roupas simples e dos pés descalços causam emoção no público citadino que lota as exibições e se apaixona pelo que na época é considerado apenas cinema popular, cinema das massas.
E hoje, como enxergamos a função cumprida por Jeca tanto anos atrás? Posso arriscar dizer que ele representou um retrato ambíguo da vida, cheia de momentos bons e ruins. Ele deu diversão ao grosso da população e foi também um ícone, um herói com tantos defeitos e desvios, mas que do seu jeitinho manso, lerdo, sonso, ia levando as coisas.
O vídeo abaixo ilustra a chegada do Jeca na cidade e sua tentativa de se adequar ao modo urbano de viver, o Jeca fazendo "jequisse".
“Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe a interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.” (Fernando Pessoa)



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Quanta evolução! [Marlon Henrique]#5


Após analisarmos os diversos cenários do Jornal Nacional ao longo de consideráveis 40 anos (1969 a 2009). Torna-se possível realizar um breve panorama de sua evolução. Para isso, estabelece-se alguns elementos-referência, que fizeram ou fazem parte da composição dos cenários. São eles: o local de instalação do cenário, a bancada dos apresentadores e o que está situado ao fundo deles.

Com relação aos espaços nos quais foram construídos os cenários do JN, pode-se destacar a presença de dois espaços principais, seriam eles: o estúdio e a redação. O primeiro cenário do JN, foi instalado num estúdio, em 1969, sendo que os seus subsequentes mantiveram tal característica. Porém, em 2000, o cenário foi transferido para redação, atribuindo novas características ao telejornal, como a instantaneidade da notícia e a ênfase no “fazer jornalístico”.

Com relação à bancada dos apresentadores é possível observar uma grande evolução em seu desenho. Em 1969, ano de estreia do telejornal, a bancada se apresentava de forma simples em uma tonalidade escura. Em 1972, a bancada adquire uma tonalidade clara e o formato de uma sutil meia-lua. Em 1979, a mesma se torna um quadrilátero em tom claro, quase branco. Vale lembrar que ela só abrigava um apresentador. Em 1985, a bancada retorna ao formato de meia lua e a abrigar dois apresentadores. Em 1989, lança-se um padrão seguido pela bancada nos anos de 1995 e 1996. O mesmo seria a forma de meia-lua, a valorização das curvas e a iluminação da bancada por neón. Em 2000, é criado um outro padrão, seguido nos anos de 2005 e 2009. O mesmo seria a linearidade, em oposição ao formato meia-lua, da bancada, a presença de computadores e de dua linhas verticais ao centro, na parte frontal. Vale destacar que, em 2009, a bancada retorna com a iluminação própria.



Um resumo da evolução dos cenários do JN.



Com relação ao fundo do cenário, pode-se observar diversas mudanças. Nos cenários entre os anos de 1969 e 1985, pode-se observar a presença de painéis que continham a logo do JN e, a partir de 1972, a presença de imagens que ilustravam as reportagens. Nos cenários de 1979 a 1985, observa-se a presença de telas. De 1989 a 1996, observa-se a presença de fundos virtuais, que inseridos através do efeito Chroma Key, exibiam imagens e ilustrações das notícias e reportagens, e logos do JN. A partir de 2000, nota-se a presença de um planisfério, logos "flutuantes" do JN e, posteriormente, um extenso telão, que exibe imagens das reportagens. Vale destacar que o planisfério, a partir de 2009, se movimenta.

Basicamente, o cenário de um programa televisivo é a “cara”, vitrine do mesmo. Com isso, as primeiras impressões que são deixadas aos telespectadores acerca do programa podem ser construídas por esse elemento. Além disso, mais do que aparência, um cenário tem um caráter funcional, ou seja, é parte da dinâmica de funcionamento do programa. No caso do JN, levando-se em consideração o cenário atual, elementos como: os computadores, o planisfério e o telão auxiliam na exibição da notícia e na construção do telejornal.










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Questão de comunicação. [Izabella Lourença] #5



A foto acima foi retirada do blog do Duelo de MC’s: http://duelodemcs.blogspot.com.br/. Ela evidencia como é feita a divulgação das noites de sexta embaixo do viaduto Santa Tereza, que segundo Pedro Valentim, organizador e membro da Família de Rua, se baseia na internet. Pedro me contou que às vezes quando tem alguma atração especial fazem um panfleto, mas na grande maioria das sextas-feiras a divulgação se da online e consegue abranger um grande número de pessoas desde a Zona Sul até as periferias. Além disso, Pedro afirma que organização do evento tenta conscientizar as pessoas principalmente sobre a forma de utilização do espaço público através de discursos no palco.
Entrevistei pessoas com perfis diferentes: pessoas que frequentam o evento há muito tempo e que compareciam ao local pela segunda vez; pessoas que vão todas as sextas e que frequentam uma vez por mês; às que se posicionam ao lado esquerdo, direito ou no centro.  Tanto as com perfis semelhantes quanto diferentes dividiram-se da seguinte maneira:

- Souberam do evento pela internet (50%)

- Souberam ao evento por outras pessoas (50%)

- Vêm intervenções discursivas da organização na tentativa de conscientização (50%)

- Não vêm intervenções discursivas da organização na tentativa de conscientização (50%)

Dos que vêm intervenções:

- Afirmam que elas afetam seu cotidiano (70%)

- Afirmam que elas não afetam seu cotidiano (30%)

Apesar de sempre ver abordagens discursivas dos organizadores que na minha opinião servem como conscientização do público presente, nas últimas quatro sextas-feiras que fui ao Duelo não houve nem uma fala nesse sentido. Por isso este post não trás o vídeo proposto com tais discursos.
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A relação entre Jornalismo Participativo e Moda, em especial nos sites de street style [Bruna Martins] #5


Por fim, procurei saber a opinião de um profissional da moda sobre todo o movimento de divulgação da moda em cunho diferente, que analisei durante esse semestre.



Paulo Borges, o entrevistado, começou sua carreira na área nos anos 80, trabalhando na Vogue Brasil com a jornalista Regina Guerreiro, e já no início da década de 1990 produziu vários desfiles para estilistas brasileiros.
Em 1997 fundou o Morumbi Fashion, que mais tarde se tornou o São Paulo Fashion Week, onde agora é diretor artístico.
Além disso, é presidente do Grupo Luminosidade, que atua em marketing estratégico, produção de eventos e conteúdo, com foco em moda, comportamento e cultura.

Eu: Como profissional, o que você acha da importância dos blogs no mundo da moda?
Paulo: Eu acho que essa questão dos blogs é uma evolução natural da moda como comunicação. É uma plataforma nova, uma plataforma de rede, digital, é o papel de comunicação principalmente para os jovens. Não existe uma migração, existe uma abertura. São novos papéis. Eles abrem a oportunidade para quem gosta de produzir, e não só ver.

Eu: E sobre os sites de street style?
Paulo: Eles têm o sentido de dar dinamismo pro olhar da moda. Cada vez mais, moda é o olhar imediato, é o olhar contemporâneo, é o que está acontecendo, é o desejo das pessoas.
A internet ajuda muito quem cria moda a sentir o que está acontecendo e a detectar quais são os desejos das pessoas, quais são os movimentos que estão acontecendo.

Eu: Você acha que essas imagens de estilos próprios, que são cada vez mais divulgadas, influenciam nas criações dos estilistas?
Paulo: Não é uma questão de influenciar, é mais de inspirar. Para alguns estilistas olhar aquela imagem ajuda a inspiração, e para outros não, é só um radar, uma imagem que se faz.

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